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Caramelo pode ser pai: cavalo símbolo da enchente de 2024 ganha nova possibilidade de vida na Ulbra

  • há 6 minutos
  • 2 min de leitura

Do telhado de uma casa, onde passou quatro dias isolado durante as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024, a uma possível nova fase de sua história. O cavalo Caramelo, um dos animais mais emblemáticos da tragédia climática que atingiu o Estado, poderá se tornar pai.


A possibilidade é estudada pela Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), em Canoas, onde o animal vive desde que foi resgatado. Aos cerca de 11 anos, Caramelo está saudável e mantém uma rotina considerada normal para um cavalo, segundo a instituição.


A diretora do Hospital Veterinário da Ulbra, Laura Cezimbra, explica que a universidade já analisa possíveis parceiras para o garanhão. Entre os principais critérios está a compatibilidade do porte físico entre os animais. Algumas candidatas já estão sendo avaliadas.


“O Caramelo está plenamente saudável. Desde que ele chegou aos nossos cuidados, a prioridade tem sido a saúde e o bem-estar dele”, afirma Cezimbra.

A ideia surgiu a partir do próprio comportamento do animal. Como garanhão — macho não castrado —, Caramelo não pode permanecer livremente em grupos, mas mantém contato próximo com outros equinos do campus, inclusive éguas.


Quando está próximo das fêmeas, ele costuma relinchar, tentar se aproximar e demonstrar interesse. A atitude acabou levando profissionais da universidade a discutir a possibilidade de permitir que o cavalo tenha um descendente.


De acordo com Cezimbra, a proposta também ganhou força pela relação afetiva criada entre Caramelo e o público desde o resgate. Pessoas que acompanham a trajetória do animal frequentemente procuram informações sobre sua rotina e demonstram interesse em novas etapas de sua vida.


“Se viu que ele tinha bastante interesse, comportamento de garanhão. Em reuniões, inclusive comentando se castra ou não castra, o pessoal surgiu com a ideia de ter um filhote para de fato fazer a questão mais social do Caramelo com os seus seguidores”, explica a diretora.

Um símbolo de resistência


A possível reprodução não está relacionada a um projeto de preservação genética, esclarece a universidade. A motivação está principalmente no significado que Caramelo adquiriu depois de sobreviver à enchente.


O animal se transformou em símbolo de resistência e superação para milhares de pessoas que acompanharam seu resgate. Para a Ulbra, esse vínculo emocional permanece forte e ajuda a explicar o interesse em compartilhar uma eventual nova fase da vida do cavalo.


“Existe uma questão afetiva muito grande envolvendo o Caramelo”, destaca Cezimbra.

Como vive Caramelo atualmente


Desde que passou a ser cuidado pela Ulbra, Caramelo recebe acompanhamento e dispõe de uma estrutura própria. À noite, permanece em uma área protegida. Durante o dia, fica solto em um piquete exclusivo de aproximadamente 250 metros quadrados.


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

No espaço, ele pode correr, pastar e rolar na grama. O local também tornou mais fácil a aproximação do público e a participação dos estudantes de Medicina Veterinária, que têm contato com o animal durante atividades práticas.


Dois anos após sobreviver a uma das maiores tragédias climáticas do Rio Grande do Sul, Caramelo segue saudável e cercado de atenção. Agora, a história do cavalo que virou símbolo da enchente pode ganhar um novo capítulo, desta vez, com a possibilidade de deixar um descendente.

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