Pesquisa inédita mostra que ataques digitais contra mulheres negras são coordenados e sistemáticos
- 28 de ago. de 2025
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O Instituto Marielle Franco (IMF) apresentou nesta quarta-feira (27), no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, em Brasília, a pesquisa inédita “Regime de Ameaça: a violência política de gênero e raça no âmbito digital (2025)”, que expõe a dimensão da perseguição virtual sofrida por mulheres negras no cenário político brasileiro.
O levantamento aponta que a violência política digital contra esse grupo não ocorre de forma isolada, mas sim de maneira sistêmica, coordenada e recorrente. Entre os episódios mapeados, 71% envolveram ameaças de morte ou estupro. Além disso, em 63% dos casos de ameaça de morte houve referência direta ao assassinato de Marielle Franco, transformando o feminicídio político da vereadora em um símbolo de intimidação brutal contra mulheres negras que ousam disputar espaço de poder.
As vítimas mais frequentes são mulheres negras cis, trans e travestis, LGBTQIA+, periféricas, defensoras de direitos humanos, candidatas, parlamentares e ativistas. Os dados foram sistematizados a partir de atendimentos realizados pelo próprio IMF e em cooperação com o Instituto Alziras, o portal AzMina, o coletivo Vote LGBT e o centro de pesquisa Internet Lab, além de informações fornecidas pela Justiça Global e pela organização Terra de Direitos.
Segundo Luyara Franco, diretora executiva do IMF e filha de Marielle, a pesquisa comprova que os ataques digitais não têm caráter pontual.
— São mulheres que sustentam este país na vida e na luta, mas continuam invisibilizadas. A violência que as atinge é também uma agressão contra a democracia, declarou.
Recomendações do estudo
O relatório não se limita ao diagnóstico: entre as recomendações, está a criação da Política Nacional de Enfrentamento à Violência Política de Gênero e Raça, que serviria como diretriz para ações do Estado, do Legislativo, da sociedade civil e das plataformas digitais no combate aos ataques virtuais.
— Queremos que este estudo seja uma ferramenta de proteção, responsabilizando agressores e plataformas digitais. Nosso compromisso é com a memória, a justiça e a construção de um país onde mulheres possam existir e disputar espaços políticos sem medo, completou Luyara.
Origem do Instituto
Criado em 2019 pela família da vereadora assassinada, o Instituto Marielle Franco é uma organização sem fins lucrativos que atua na defesa da memória e do legado político de Marielle, além de fomentar iniciativas voltadas ao fortalecimento de mulheres negras, pessoas LGBTQIA+ e periféricas, promovendo a busca por uma sociedade mais justa e igualitária.










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