Justiça manda soltar suspeito de fazer empréstimos em nome de pessoas mortas no RS
- 17 de ago. de 2025
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A juíza Claudia Junqueira Sulzabach, da 5ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, determinou a soltura do advogado Daniel Nardon, investigado por supostas fraudes em processos judiciais. Ele é acusado de enganar clientes, reter valores de ações e até assinar procurações em nome de pessoas já falecidas.
A decisão foi proferida na noite de sexta-feira (15) e atendeu a pedido da defesa. Apesar da liberdade, Nardon deverá cumprir uma série de medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno (das 19h às 7h) e apresentação mensal à Justiça para informar suas atividades.
O Ministério Público se manifestou contra a liberação, mas a magistrada entendeu que as restrições impostas são suficientes no atual estágio da investigação.
Medidas cautelares impostas a Nardon
Apresentação mensal em juízo por seis meses;
Recolhimento domiciliar noturno;
Proibição de sair do país (com suspensão de passaporte);
Proibição de frequentar locais relacionados à investigação;
Proibição de contato com vítimas, investigados e testemunhas;
Proibição de deixar a comarca por mais de 15 dias sem autorização judicial;
Restrições no exercício da advocacia;
Obrigação de manter endereço atualizado nos autos e comparecer a todos os atos processuais.
Prisão e investigação
Nardon estava preso havia três meses, desde que foi localizado em Dourados (MS) durante uma operação policial, em 15 de maio. No dia seguinte, foi transferido para Porto Alegre e desde então estava recolhido na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), na Região Metropolitana.
O escritório do advogado foi alvo de operação da Polícia Civil em 7 de maio. O esquema, batizado de “advocacia predatória”, teria movimentado mais de 100 mil processos na Justiça, sendo que cerca de 10% deles podem ter sido fraudulentos, segundo a investigação. A estimativa é de até 10 mil vítimas.
Além de Nardon, outras 13 pessoas são investigadas por crimes como estelionato, falsidade ideológica, falsificação de documentos, fraude processual, apropriação indébita e patrocínio infiel. Há 45 inquéritos em andamento.
Em junho, o Ministério Público denunciou o advogado por fraudes eletrônicas contra idosos. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) suspendeu preventivamente o exercício de sua profissão.
Ao ser preso, Nardon alegou ter sido vítima de uma “armação”. O processo segue em tramitação na Justiça.










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