SUS vai substituir vacina pneumocócica e ampliar proteção contra meningite e pneumonia
- 28 de mai.
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O Sistema Único de Saúde começará a disponibilizar, a partir de junho, uma nova vacina para prevenção de doenças causadas pelo pneumococo. A vacina pneumocócica conjugada 20-valente (VPC20), também chamada de Pneumo 20, substituirá a atual versão 10-valente aplicada na rede pública, ampliando significativamente a cobertura contra diferentes sorotipos da bactéria.
A mudança foi oficializada pelo Ministério da Saúde, que divulgou nesta quarta-feira (27) um guia técnico preliminar orientando os profissionais da área sobre a implementação da nova estratégia de vacinação. A aplicação poderá começar assim que os municípios receberem as doses.
A doença pneumocócica é provocada pela bactéria Streptococcus pneumoniae e pode causar desde quadros leves, como sinusite e infecções de ouvido, até doenças graves, incluindo pneumonia bacteriana, meningite e sepse.
Segundo estimativas da área da saúde, o pneumococo está relacionado a cerca de metade dos casos de meningite bacteriana em crianças. A taxa de mortalidade nesses quadros pode chegar a 30%, especialmente entre pacientes mais vulneráveis. Além do público infantil, idosos e pessoas com comorbidades ou imunossupressão também integram os grupos de maior risco.
A vacina pneumocócica 10-valente foi incorporada ao calendário infantil em 2010 e, desde então, contribuiu para redução expressiva de casos graves. Dados apontam queda de aproximadamente 60% nas doenças pneumocócicas associadas aos sorotipos contemplados pela vacina em crianças de até dois anos. Os registros de meningite pneumocócica na mesma faixa etária também diminuíram cerca de 65%.
Apesar dos avanços obtidos nas últimas décadas, especialistas observam aumento recente no número de casos. Entre 2013 e 2019, o Brasil registrava média anual de 164 ocorrências de meningite pneumocócica em crianças de até cinco anos. Já entre 2022 e 2024, a média passou para 211,3 casos anuais.
A diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações, Flávia Bravo, explica que o crescimento está relacionado a uma mudança no comportamento epidemiológico da bactéria após a introdução da vacinação em larga escala.
Segundo ela, a redução da circulação dos sorotipos originalmente combatidos pela vacina abriu espaço para o avanço de outras variantes do pneumococo, fenômeno conhecido na medicina como “replacement”, ou substituição de sorotipos.
Com a adoção da VPC20, o Ministério da Saúde busca ampliar novamente a cobertura imunológica e reforçar a prevenção de doenças graves associadas à bactéria pneumocócica no país.









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