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Rio Grande do Sul já registrou 31 desastres associados a tornados desde 1991

  • há 3 dias
  • 2 min de leitura

O tornado que atingiu o Noroeste do Rio Grande do Sul nesta semana voltou a chamar atenção para a ocorrência de fenômenos meteorológicos severos no Estado. Dados do Atlas Digital de Desastres apontam que, desde 1991, o território gaúcho registrou pelo menos 31 desastres relacionados a tornados, afetando diretamente cerca de 7,6 mil pessoas e provocando aproximadamente R$ 68 milhões em prejuízos materiais.


Em Giruá, onde o fenômeno ocorreu recentemente, a força dos ventos provocou danos em imóveis, derrubou árvores e matou animais. Apesar da curta duração, o tornado deixou um cenário de destruição e evidenciou o potencial de impacto desses eventos.


Estado está em área favorável à formação de tornados


O Rio Grande do Sul integra o chamado corredor de tornados da América do Sul, uma extensa área considerada altamente propícia ao desenvolvimento desse tipo de fenômeno atmosférico. A região é apontada como uma das mais favoráveis do planeta, atrás apenas da área central dos Estados Unidos.


A formação de tornados está associada principalmente à presença de tempestades severas e à combinação de diferentes massas de ar. No Sul do Brasil, o encontro entre o ar quente e úmido proveniente da Amazônia e o ar frio que avança pelo continente pode favorecer condições de forte instabilidade.


Outro elemento importante é a chamada cisalhamento do vento, quando direção e velocidade dos ventos variam conforme a altitude. Em determinadas condições, esse cenário pode contribuir para a rotação dentro de tempestades e para o desenvolvimento de tornados.


O climatologista e professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Francisco Eliseu Aquino, explica que o fenômeno não é excepcional no Estado e está diretamente relacionado às tempestades de grande desenvolvimento vertical.


As nuvens cumulonimbus, responsáveis por tempestades severas, são fundamentais para esse processo. É dentro dessas estruturas que podem surgir condições capazes de gerar tornados, especialmente quando existe elevado contraste atmosférico.


Além da rotação dos ventos, frentes e áreas de instabilidade com forte disponibilidade de calor e umidade podem aumentar a possibilidade de tempestades acompanhadas de chuva intensa, granizo e ventos extremos.


Em episódios mais intensos, os ventos associados aos tornados podem superar 300 km/h, dependendo das características e da intensidade do fenômeno.


O episódio registrado no Noroeste gaúcho reforça, portanto, a necessidade de atenção aos alertas meteorológicos, especialmente durante períodos de forte instabilidade atmosférica, quando tempestades severas podem se desenvolver rapidamente e provocar impactos significativos em diferentes regiões do Estado.


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

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