Quase 4 milhões de brasileiros já estão impedidos de apostar em plataformas autorizadas
O acesso às plataformas de apostas autorizadas pelo governo federal já está bloqueado para um contingente de aproximadamente 4 milhões de pessoas no Brasil. O grupo reúne cidadãos impedidos de apostar por diferentes motivos, incluindo pessoas com dívidas renegociadas, beneficiários de programas sociais e usuários que decidiram voluntariamente restringir o próprio acesso ao jogo.
Os dados são relacionados ao Sistema de Gestão de Apostas (Sigap), da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) do Ministério da Fazenda, que contabiliza cerca de 40 milhões de usuários ativos cadastrados. Considerando os diferentes grupos submetidos às restrições, o número de bloqueios representa aproximadamente 10% desse universo.
Mais de 827 mil impedidos por dívidas
Entre as pessoas que tiveram o acesso restringido em razão de situações relacionadas à renegociação de débitos, 794.181 estão vinculadas à modalidade destinada a inadimplentes. Outros 33.123 casos envolvem beneficiários do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
As restrições fazem parte das medidas adotadas para impedir que determinadas situações de vulnerabilidade financeira sejam associadas à participação em plataformas de apostas.
Bolsa Família e BPC também entram na restrição
Outro grupo expressivo é formado por beneficiários de programas sociais. O Ministério da Fazenda bloqueou o acesso de aproximadamente 3 milhões de beneficiários do Bolsa Família e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) às plataformas de apostas.
A medida foi adotada em cumprimento a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Autoexclusão já passa de 1,2 milhão de pedidos
Quem deseja interromper voluntariamente o acesso às apostas também pode recorrer à Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada pela Secretaria de Prêmios e Apostas e disponibilizada desde dezembro de 2025.
Até o momento, foram registrados mais de 1,2 milhão de pedidos de autoexclusão.
Entre as justificativas apresentadas pelos usuários, a mais frequente é “Perda de controle sobre o jogo – saúde mental”, responsável por 35,93% das solicitações.
Na sequência aparece a opção “Prevenir que meus dados sejam utilizados por plataformas de apostas”, escolhida em 20,63% dos pedidos.
A maioria das pessoas que optaram pela autoexclusão, 66,95%, solicitou o bloqueio por período indeterminado. Outros 21,6% escolheram uma restrição com duração de um ano.
Plataforma oferece orientação sobre riscos das apostas
Além da possibilidade de restringir o acesso às plataformas, o serviço disponibiliza cursos gratuitos destinados a consumidores e apostadores. Um dos módulos aborda aspectos comportamentais e financeiros relacionados às apostas, incluindo situações de vulnerabilidade como o superendividamento.
A plataforma também oferece um autoteste de saúde mental, acompanhado de informações sobre os riscos associados às apostas e orientações sobre os pontos de atendimento disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
O avanço das ferramentas de bloqueio e autoexclusão evidencia a preocupação crescente das autoridades com os impactos financeiros e comportamentais relacionados ao uso de plataformas de apostas, especialmente entre pessoas em situação de vulnerabilidade.









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