Onda de calor histórica atinge 46°C na Europa e provoca recordes, incêndios e mortes no continente
- 1 de jul. de 2025
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O sul da Europa enfrenta uma severa onda de calor que já provoca recordes históricos de temperatura, agrava riscos de incêndios florestais e mobiliza autoridades de saúde em múltiplos países. Nesta segunda-feira (30), cidades de Espanha, Portugal, Itália e França registraram máximas que ultrapassaram os 45 °C, em um episódio climático extremo que os especialistas classificam como intensificado pelas mudanças climáticas.
Em Granada, na região espanhola da Andaluzia, os termômetros atingiram 46 °C no sábado — maior temperatura já registrada em junho desde o início das medições, superando o antigo recorde de 45,2 °C, de 1965, em Sevilha. A Agência Estatal de Meteorologia (Aemet) também informou que o domingo foi o 29 de junho mais quente na Espanha desde 1950. Nesta segunda, o país permanece sob alertas para calor intenso e tempestades isoladas.
No território português, a cidade de Mora, no distrito de Évora, marcou 46,6 °C — novo recorde nacional para o mês, segundo veículos locais. Bombeiros ainda combatiam focos de incêndio em áreas como Castelo Branco, no Centro do país, enquanto o risco permanecia elevado em regiões florestais. O calor extremo também afetou a superfície do mar Mediterrâneo, que alcançou 26,01 °C de média, o maior índice já registrado em junho, segundo dados do programa europeu Copernicus.
A Itália, por sua vez, declarou estado de alerta vermelho em 17 cidades, incluindo capitais como Roma, Milão e Florença. Segundo o meteorologista Antonio Spano, o país enfrenta uma das ondas de calor mais duradouras e agressivas do verão europeu. A situação é agravada pelo chamado "efeito de ilha de calor urbano", fenômeno que intensifica o calor em áreas densamente urbanizadas, conforme explicou Emanuela Piervitali, do Instituto Italiano de Proteção e Pesquisa Ambiental (ISPRA).
Tragicamente, uma idosa de 77 anos morreu por inalação de fumaça durante um incêndio em Potenza, no sul da Itália. Já na Espanha, dois operários faleceram no fim de semana em circunstâncias relacionadas ao calor extremo, levando sindicatos a exigir que empresas adotem medidas para resguardar os trabalhadores.
Na Turquia, mais de 50 mil pessoas foram retiradas de 41 localidades devido a incêndios florestais em rápida propagação. Na França, o governo ativará nesta terça-feira o alerta vermelho em Paris e outras 15 regiões, com previsão de temperaturas acima de 40 °C em algumas áreas — um cenário descrito como "sem precedentes" pela ministra da Transição Ecológica, Agnès Pannier-Runacher.
Cientistas destacam que episódios como este se tornam mais frequentes e intensos com o avanço do aquecimento global, exigindo respostas urgentes e integradas por parte dos governos e da sociedade.










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