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Mulher fingia ter 12 anos, foi acolhida por famílias e acionou conselhos tutelares pelo país

  • 10 de jun.
  • 2 min de leitura

A mulher que ganhou notoriedade por se apresentar como uma adolescente e ser acolhida por famílias, instituições e serviços de proteção em diferentes regiões do país teve ao menos três diagnósticos psiquiátricos registrados em documentos da Justiça do Rio Grande do Sul.


Informações constantes em um processo criminal movido pelo Ministério Público gaúcho em 2022 apontam que Amanda Maria Souza de Oliveira foi diagnosticada inicialmente com transtorno factício e pseudologia fantástica. Posteriormente, também recebeu diagnóstico de transtorno de personalidade borderline.


Segundo a investigação, Amanda costumava assumir a identidade de uma suposta menina chamada Gabrielly da Silva Ferreira, geralmente apresentada como tendo entre 11 e 12 anos de idade. Com essa identificação falsa, conseguiu acesso a programas de acolhimento, residências particulares, entidades religiosas e diversos serviços públicos voltados à proteção de crianças e adolescentes.


Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A íntegra da denúncia, obtida pela imprensa, descreve que a mulher passou por atendimento psiquiátrico no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, em Porto Alegre. O parecer anexado ao processo destaca que ela apresentava comportamento manipulador e que suas ações geraram significativa mobilização de recursos públicos, envolvendo conselhos tutelares, promotorias, forças policiais, equipes de assistência social e serviços de saúde.


Especialistas explicam que o transtorno factício é caracterizado pela produção ou simulação de sintomas físicos e psicológicos sem a existência de benefícios materiais evidentes. De acordo com a psicóloga Fernanda Palhares, doutora pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pessoas com esse transtorno costumam buscar repetidamente atendimento em diferentes instituições, apresentando relatos inconsistentes e frequentemente abandonando tratamentos quando confrontadas sobre possíveis contradições.


O caso chamou a atenção das autoridades em diferentes estados brasileiros devido à complexidade da situação e ao impacto causado nos sistemas de proteção social e de atendimento público. Os registros judiciais apontam que a investigação buscou compreender não apenas a eventual responsabilização criminal, mas também os aspectos relacionados à saúde mental da investigada.


A repercussão do episódio reacendeu debates sobre os desafios enfrentados por órgãos públicos na identificação de situações semelhantes e na conciliação entre proteção social, investigação dos fatos e acompanhamento especializado em saúde mental.

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